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Estabilização Dinâmica, a Abordagem Triplo A para a Boa Vida, e o Conceito de Ressonância, por Hartmut Rosa (Parte 2)

Nessa segunda parte, depois de expor as noções de estabilização dinâmica e da abordagem triplo A, Rosa critica ambas as noções e oferece uma concepção alternativa da boa vida: a ressonância.

Por Hartmut Rosa

Tradução: Diogo Corrêa e Carlos Fabris

Primeira parte do texto

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Alienação e Poluição – Ou: O que há de errado com a Abordagem Triplo A?

Até agora, tentei esboçar que somos movidos pelo desejo de expandir nosso horizonte do disponível, alcançável e acessível. Nossa concepção da boa vida está enraizada na ideia de que podemos “ganhar” o mundo, que podemos desbloqueá-lo, torná-lo “legível” (Blumenberg, 1981) e conseguir que seus tesouros e segredos falem conosco. Contudo, infelizmente, quando olhamos para nossa atual situação sociocultural, esta estratégia parece ter falhado completamente, e de forma dupla. Em primeiro lugar, é claro, há uma sensação generalizada e crescente em todo o mundo de que não ganhamos e não dispomos do mundo, mas que o destruímos e o colocamos em perigo. Esse sentido é mais vívido nas preocupações ambientais que, no modo de estabilização dinâmica, através do crescimento e aceleração incessantes, danificamos e destruímos, empobrecemos e reduzimos, poluímos e envenenamos nosso ambiente natural. Em nosso mundo moderno tardio, “natureza”, paradoxalmente, tornou-se sinônimo do “outro” inatingível e indisponível, por um lado, e de algo que somos culpados de destruir, por outro. Isso, por sua vez, leva à reação de uma natureza desenfreada que ataca em tsunamis e tufões, avalanches e secas, vírus e bactérias resistentes a antibióticos. O mundo natural, em vez de ser disponibilizado, alcançável e acessível, em muitos aspectos parece, ao invés disso, tornar-se em perigo e perigoso. Essa relação na qual os sujeitos modernos ainda percebem seu ambiente natural como vivo e respirável, certamente não corresponde à forma de ser-no-mundo que a estratégia de aumentar nosso alcance e escopo visava.

No entanto, quando olhamos para a história cultural da modernidade, existe um segundo sentido, ainda mais perturbador, no qual essa mesma estratégia acaba se revelando paradoxal. Desde o século XVIII, quando ocorreu a mudança para o modo de estabilização dinâmica, a modernidade tem sido assombrada pelo medo, e pela experiência manifesta, de que o mundo parece recuar paralelamente com o aumento de nosso domínio sobre ele. Em uma perspectiva fenomenológica, parecemos perder o mundo à medida que o tornamos disponível. Nas auto-observações culturais da modernidade, bem como na teoria e filosofia social, esse processo tem sido observado de muitos ângulos diferentes: Jean-Jacques Rousseau, por exemplo, o experienciou quando contestou os ganhos supostamente obtidos com o progresso e os interpretou como uma verdadeira perda na qualidade de nosso ser no mundo, testemunhada na mudança de amour-de-soi para amour propre (Rousseau, 1750); Karl Marx identificou-o como um processo quíntuplo de alienação do trabalho, dos produtos do trabalho, da natureza, de nossos semelhantes humanos e, no final, de nós mesmos, e tomou-o como ponto de partida para sua filosofia (Marx, Engels, 1932), que mais tarde inspirou os diagnósticos de alienação e as formas correspondentes de reificação por Theodor W. Adorno, Erich Fromm, ou Herbert Marcuse, assim como Georg Lukács e, mais recentemente, Axel Honneth (2012) e Rahel Jaeggi (2005). Em todas essas concepções, surge a sombra de um mundo tornado raso e silencioso, mudo e surdo através de nossa própria tentativa de controlá-lo e de mercantilizá-lo. A alienação veio para servir como a palavra-chave para um mundo que se tornou frio e cinzento, duro e não-responsivo, experienciado por um sujeito que interiormente também se sente surdo, mudo, frio e vazio. Também encontramos essa sensação de uma séria perda do mundo, de seu deslizar para longe de nós, em outras tradições da filosofia social: na concepção de Émile Durkheim de anomia (e suas noções de formas anômicas e egoístas de suicídio); Durkheim, 1897), na identificação de Georg Simmel de uma atitude blasé em relação a coisas e a eventos que nos cercam e uma aversão “latente” dos nossos semelhantes, que ele considerava característica do habitus moderno (Simmel, 1903), na noção de Max Weber de “desencantamento” como a outro face do longo processo de “racionalização” (que ele define como o processo que torna o mundo calculável e controlável), ou na definição de Albert Camus do “absurdo”, que nasce, diz ele, do sentido de que não podemos deixar de bradar e gritar para um mundo que nunca responde porque ele é, em seu núcleo mais íntimo, frio e indiferente ou mesmo hostil para nós (Camus, 1942). Finalmente, para Hannah Arendt (1958), os sujeitos humanos perdem o mundo se perderem sua capacidade de ação política conjunta e criativa – independentemente do sucesso econômico e tecnológico que possam ter.

Esse fracasso da estratégia triplo A em direção à boa vida é sentido de forma mais vívida no estado psicológico de “burnout“, que se tornou o temor e doença icônicos da modernidade tardia (cf. Ehrenberg, 2010). As pessoas que sofrem um burnout completo – por mais problemática que seja sua definição médica exata – experienciam exatamente isso: um mundo que se tornou duro e frio, cinza ou preto, morto e surdo para elas, enquanto também interiormente se sentem vazias e drenadas. O burnout, portanto, é a forma mais radical de alienação no sentido em uma perda completa ou falta de uma conexão “calorosa” e responsiva com a vida e com o mundo. Se meu diagnóstico do retrocesso do mundo como o lado negativo de torná-lo disponível, acessível e alcançável está correto, faz sentido que o “burnout” tenha se tornado o temor cultural dominante precisamente naqueles contextos sociais onde a Estratégia Triplo A foi mais bem-sucedida e onde há uma abundância de recursos.

Assim, surge a questão: O que deu errado? Por que a modernidade traiu nossas esperanças e falhou em cumprir sua promessa? Para responder a isso, temos que voltar atrás mais uma vez e perguntar: Por que trazer o mundo ao nosso alcance e escopo é tão atraente para nós, modernos, em primeiro lugar? Qual foi a promessa pela qual fomos conduzidos a essa estratégia? Colocado de forma direta: Acredito que no cerne dessa estratégia está a ideia de que, através do aumento de alcance e de escopo, podemos melhorar a qualidade de nossa relação com o mundo. O desejo de aumentar nosso alcance físico, material e social é impulsionado pela esperança de que podemos encontrar o lugar certo para nós, de que podemos encontrar as pessoas com quem realmente queremos viver, o trabalho que de fato nos satisfaz, a religião ou visão de mundo que é verdadeiramente nossa, os livros que realmente conversam conosco e a música que nos fala, etc. Assim, no final, esperamos chegar a uma forma de vida que transforme o mundo em um mundo vivo, que respira e fala, responsivo, “encantado”. Infelizmente, como tentei apontar, ao invés de chegarmos lá, acabamos transformando o negócio de aumentar nosso escopo e horizonte de recursos disponíveis, alcançáveis e acessíveis e coletando recursos em um fim em si mesmo, em um ciclo infinito e escalonado que corrói permanentemente sua própria base e assim não leva a lugar algum. Tratarei de um pequeno e idiossincrático exemplo: pensemos na forma como nos relacionamos com os livros e com a música.

Para muitos sujeitos modernos, a literatura e a música se tornaram “eixos” centrais ou elementos de uma boa vida, indicadores cruciais, embora um tanto luxuosos, para a qualidade de vida; uma esfera na qual eles buscam e encontram momentos de felicidade. Durante décadas, tornou-se uma rotina cultural para muitas pessoas (certamente não apenas acadêmicos e intelectuais) o aumento gradual de coleções de discos, ou CDs, e uma biblioteca particular. Como o tempo tem se tornado um bem cada vez mais escasso, enquanto a música e os livros têm se tornado cada vez mais facilmente alcançáveis e acessíveis, muitas vezes os livros ou álbuns coletados nunca são realmente ou totalmente lidos ou ouvidos. Eles são armazenados em prateleiras e caixas para possível uso futuro. Eles são adquiridos como mero potencial, mas não são, ou não são totalmente apropriados no verdadeiro sentido de “consumo”. Pois consumir um livro ou um disco não significa comprá-los, mas lê-los ou ouvi-los. Quando lemos um livro ou ouvimos uma música no sentido pleno do termo, temos uma chance de sermos atraídos, tocados e afetados por ele, e até certo ponto de sermos transformados por ele. Muito frequentemente, as pessoas se referem a suas experiências mais intensas e gratificantes em torno do ler e do ouvir, afirmando que o livro ou a música em questão realmente “mudou sua vida”. Obviamente, aumentar o alcance e o escopo de livros e músicas permanentemente disponíveis e acessíveis através da aquisição não se traduz necessariamente ou diretamente em um aumento na qualidade e/ou quantidade de experiências culturais intensas desse último tipo. Na verdade, pode até haver uma correlação negativa que se assemelha à macrohistória que acabei de contar na seção anterior. À medida que encontramos cada vez menos tempo para mergulhar em um livro ou em uma peça musical, parece que desenvolvemos um apetite crescente para adquirir mais. Esse parece ser um efeito colateral quase “natural” de estabilização dinâmica: a literatura e a música como mercadorias se tornam progressivamente mais baratas, enquanto o tempo necessário para ler um livro ou realmente ouvir uma ópera fica comparativamente mais “caro “[1]. Assim, ao invés de ouvirmos – o que levaria anos pra ser feito – os 170 CDs incluídos no The Complete Mozart (ou as gravações completas do Pink Floyd) que podemos facilmente adquirir através da Internet, adquirimos também a coleção completa de Beethoven (ou Stones) por apenas 49 euros, o que se torna uma alternativa cada vez mais atraente. No entanto, a probabilidade de que nenhum desses 170 CDs fale conosco também aumenta.

Agora, curiosamente, como o leitor certamente terá notado há algum tempo, já demos o próximo passo na lógica de aumentar nosso alcance e escopo de acessibilidade cultural: os mais jovens tendem a não comprar amis livros e CDs ou DVDs – eles compram mero acesso em vez disso. Por apenas alguns dólares por mês, eles têm acesso ilimitado a milhões de livros, álbuns e/ou filmes! Isso parece ser a realização definitiva do sonho da modernidade. No entanto, na maioria das vezes, nos encontramos sentados diante desse horizonte ilimitado de disponibilidade e não nos sentimos atraídos por nenhuma das opções. Uma história muito parecida pode ser contada sobre a história da fotografia privada. Durante décadas, muitas pessoas costumavam tirar fotografias para que pudessem se relacionar de forma intensa e íntima com experiências passadas. As imagens eram cuidadosamente selecionadas quando tiradas e depois armazenadas individualmente em álbuns físicos. Com o advento das imagens digitais rápidas e baratas, as imagens se tornaram abundantemente disponíveis e acessíveis. Podemos fazer, multiplicar e armazenar centenas e milhares delas, e o fazemos com a esperança de que elas liberem seu verdadeiro potencial relacional em algum momento no futuro. Mas na verdade, na maioria das vezes, seu tempo nunca chega. Aumentar o escopo de alcançabilidade parece ter reduzido significativamente a qualidade experiencial e relacional. É exatamente aqui que o cinzento cultural ou o burnout individual realmente se acentua.

Assim, para resumir meu argumento até aqui, temos boas razões para assumir que a boa vida em sua essência não é uma questão de escopo (em dinheiro, riqueza, opções ou capacidades), mas uma forma particular de se relacionar com o mundo – com lugares e pessoas, com ideias e corpos, com o tempo e com a natureza, consigo mesmo e com os outros. Aumentar o escopo é apenas um meio e uma estratégia para possibilitar ou facilitar esse último – torna-se prejudicial se for estruturalmente transformado em um fim em si mesmo e, assim, culturalmente leva à alienação do mundo (e à destruição da natureza em cima disso).

A Concepção de Ressonância da Boa Vida

Agora, se as duas afirmações que acabamos de formular são plausíveis – isto é, que a) a boa vida é uma questão do modo como nos relacionamos com e para o mundo, de nosso ser-no-mundo e que b) a estabilização dinâmica e a Estratégia Triplo A levam a uma crescente alienação como um modo falho de ser e de se relacionar – então a questão que resta a ser respondida é esta: Qual é o oposto de alienação? O que é uma forma “boa” ou satisfatória de se relacionar com os lugares, as pessoas, o tempo, as coisas e o self? O que é o Outro da alienação? Começo a responder essa pergunta definindo a alienação de uma maneira mais precisa. Alienação, proponho, é um modo particular de se relacionar com o mundo das coisas, das pessoas e do próprio self, no qual não há resposta, ou seja, nenhuma conexão interna significativa. É, para usar o termo de Rahel Jaeggi (2005), um relacionamento sem relação (verdadeira). Como vimos, nesse modo, certamente existem conexões e interações causais e instrumentais, mas o mundo (em todas as suas qualidades) não pode ser apropriado pelo sujeito, não pode ser feito “falar”, parece estar sem som e cor. A alienação, portanto, é uma relação marcada pela ausência de uma troca e conexão verdadeira e vibrante. Entre um mundo silencioso e cinzento e um sujeito “seco” não há vida, ambos parecem estar “congelados” ou genuinamente confusos e mutuamente aversivos. Assim, no estado de alienação, o self e o mundo parecem estar relacionados de uma forma totalmente indiferente ou mesmo hostil.[2]

Mas a verdadeira sensação de alienação como quero usá-la aqui só se torna compreensível quando começamos a pensar em sua alternativa. O outro da alienação é um modo de relacionar-se com o mundo no qual o sujeito se sente tocado, movido ou abordado pelas pessoas, lugares, objetos, etc. que ele ou ela encontra. Fenomenologicamente falando, todos sabemos o que significa ser tocado pelo olhar ou pela voz de alguém, por uma música que ouvimos, por um livro que lemos, por um lugar que visitamos, etc. Assim, a capacidade de nos sentirmos afetados por algo e, por sua vez, de desenvolver um interesse intrínseco na parte do mundo que nos afeta, é um elemento central de qualquer forma positiva de relação com o mundo. E como sabemos através de psicólogos e psiquiatras, sua marcada ausência é um elemento central da maioria das formas de depressão e burnout (FUCHS, 2008; ROSA, 2016). No entanto, não é suficiente para superar a alienação. O que é necessário, além disso, é a capacidade de “responder” ao chamado. De fato, quando nos sentimos tocados da maneira descrita acima, muitas vezes tendemos a dar uma resposta física desenvolvendo arrepios, um aumento da frequência de batimentos cardíacos, uma mudança na pressão sanguínea e na resistência da pele, etc. (MASSUMI, 2002). A ressonância, como quero chamar esse movimento duplo de a←feição (algo nos toca de fora) e e→moção (respondemos dando uma resposta e, portanto, estabelecendo uma conexão) tem, portanto, sempre e inevitavelmente, uma base corporal. Mas a resposta que damos, naturalmente, também tem um lado psicológico, social e cognitivo. É com base na experiência que podemos alcançar e responder ao chamado, que podemos estabelecer uma conexão através de nossa própria reação interna ou externa. É por essa reação que o processo de apropriação se realiza. Esse tipo de ressonância que experienciamos, por exemplo, nas relações de amor ou amizade, mas também no diálogo genuíno, quando tocamos um instrumento musical ou nos esportes, mas também muito frequentemente no local de trabalho. A conexão receptiva, assim como ativa, realiza um processo de transformação progressiva do self e do mundo.

Assim, a ressonância não é construída apenas sobre a experiência de ser tocado ou afetado, mas também sobre a percepção do que podemos chamar de autoeficácia[3]. Na dimensão social, a autoeficácia é experienciada quando percebemos que somos capazes de realmente alcançar e afetar os outros, que eles verdadeiramente nos escutam e se conectam a nós e, por sua vez, respondem. Mas a autoeficácia, claro, também pode ser experienciada quando jogamos futebol ou tocamos piano, quando escrevemos um texto com o qual temos dificuldades (e que inevitavelmente fala sua própria voz), e mesmo quando estamos na praia e “nos conectamos” com as ondas que rolam, a água e o vento. Somente em tal modo de afeto receptivo e autoeficácia responsiva é que o self e o mundo se relacionam de forma apropriativa: o encontro transforma ambos os lados, o sujeito e o mundo experienciados[4]. As ressonâncias desse tipo são elementos vitais de qualquer informação de identidade, algo que podem ser visto a partir de afirmações como: após a leitura daquele livro, ou após ouvir aquela música ou conhecer aquele grupo ou escalar aquela montanha, eu era uma pessoa diferente. Esses são ingredientes padrão de quase todos os relatos (auto-)biográficos dados, por exemplo, em entrevistas. É importante notar aqui que os efeitos transformadores da ressonância estão além do controle do sujeito. Quando algo realmente nos toca, nunca podemos saber ou prever com antecedência o que nos tornaremos como resultado disso.

Resumindo, a ressonância como o Outro da alienação é, portanto, definida por quatro elementos cruciais. Primeiro, por a←feição no sentido da experiência de ser verdadeiramente tocado ou movido, segundo por e→moção como a experiência de autoeficácia responsiva (em oposição à puramente instrumental), terceiro por sua qualidade transformadora, e quarto por um momento intrínseco de indefinição, ou seja, de incontrolabilidade ou não-disponibilidade. Não podemos simplesmente estabelecer ressonâncias instrumentais ou fazê-las acontecer à vontade; elas permanecem sempre elusivas. Dito de outra forma: se “ouvimos o chamado” ou não, está além de nossa vontade e controle. Isto em parte se deve ao fato da ressonância não ser um eco: ela não significa ouvir-se de forma amplificada ou simplesmente sentir-se re-afirmada, mas envolve o encontro com algum “outro” real que permanece além de nosso controle, que fala em sua própria voz ou chave diferente da nossa e, portanto, permanece “alheio” a nós. Mais ainda, esse “Outro” precisa ser experienciado como uma fonte de “avaliação forte” no sentido de Charles Taylor. Somente quando sentimos que esse Outro (que pode ser uma pessoa, mas também uma música, uma montanha, ou um evento histórico, por exemplo) tem algo importante a dizer ou ensinar, independentemente de gostarmos de ouvi-lo ou não, podemos realmente nos sentir “capturados” e tocados (Taylor, 1989: 3-109). A ressonância, portanto, requer inevitavelmente um momento de autotranscendência (Joas, 1997). Não requer, porém, que tenhamos um conceito cognitivo claro ou uma experiência prévia desse Outro. Podemos, de repente, ser tocados e abalados por algo que parece ser totalmente estranho. Portanto, a ressonância certamente não é apenas consonância ou harmonia; muito pelo contrário: requer diferença e às vezes oposição e contradição a fim de permitir um verdadeiro encontro. Assim, em um mundo completamente harmonioso ou consonante, não haveria ressonância alguma, pois seríamos incapazes de discernir a voz de um “Outro” – e por consequência, desenvolver e discernir nossa própria voz. No entanto, um mundo no qual houvesse dissonância e conflito também não permitiria experiências de ressonância. Um mundo assim seria experienciado como meramente repulsivo. Em resumo, a ressonância requer uma diferença que permite a possibilidade de apropriação: de uma relação responsiva que implica em transformação e adaptação progressiva e mútua. A ressonância, portanto, é uma condição entre a consonância e a dissonância irrevogável. Por causa disso, estou convencido de que o conceito pode fornecer uma chave para superar o tradicional impasse entre teorias e filosofias baseadas na identidade e concepções centradas na diferença. A ressonância não requer identidade, mas a apropriação transformadora da diferença.

A luz dessa definição de ressonância, fica claro que a ressonância não pode ser armazenada ou acumulada, e tampouco pode haver uma luta por ressonância[5]. Portanto, a ressonância nos proporciona uma concepção da boa vida que contradiz a lógica do aumento e a Abordagem do Triplo A. Entendemos isso imediatamente quando pensamos no que acontece quando tentamos tocar nossa música favorita dez vezes seguidas, ou todos os dias: não aumentamos nossa experiência de ressonância, mas a perdemos. Da mesma forma, o aumento em nosso banco de dados de músicas disponíveis para milhões de títulos disponíveis não aumenta, pelo menos não necessariamente, a probabilidade de ressonância musical.

Mas a indefinição e o caráter momentâneo da ressonância não significam que seja completamente aleatória e contingente. Pois embora a experiência real nunca possa ser completamente controlada e prevista (na verdade, como esperamos que aconteça mais fortemente, é muito provável que fiquemos decepcionados – a véspera de Natal na vida familiar é um bom exemplo), há dois elementos envolvidos aqui que dependem das condições sociais e que, portanto, transformam a ressonância em um conceito que pode ser usado como uma ferramenta para a crítica social. Primeiro, os sujeitos, individual e coletivamente, experienciam ressonância tipicamente ao longo de determinados “eixos” de ressonância. Assim, para alguns, a música proporciona tal eixo. Sempre que vão ao teatro, ou à ópera, ou a arenas de shows, eles têm uma boa chance de fazer essa experiência. Para outros, será o museu, a biblioteca, ou a igreja, a floresta ou a costa marítima. Mais do que isso, também fomentamos relações sociais que proporcionam algo como um eixo de ressonância confiável. Podemos esperar momentos de ressonância quando estamos com nossos amantes, com nossos filhos ou com nossos amigos – embora todos saibamos que muitas vezes, nossos respectivos encontros permanecem indiferentes ou mesmo repulsivos. E tanto quanto sabemos pelas evidências fornecidas pela sociologia do trabalho (mais instrutiva para isto, Sennett, 2009), a maioria das pessoas, ou pelo menos muitas pessoas, desenvolvem intensas relações de ressonância com seu trabalho, não apenas com seus colegas no local de trabalho, mas também com os materiais e tarefas com os quais estão trabalhando e enfrentando dificuldades. Assim, a massa “responde” ao padeiro, assim como o corte de cabelo ao barbeiro, a madeira ao carpinteiro, a planta ao jardineiro, o caminhão ao caminhoneiro, o corpo ao médico ou o texto ao escritor. Em cada um desses casos, encontramos uma verdadeira relação bidirecional que envolve experiências de autoeficácia, resistência ou contradição e apropriação, assim como transformação mútua (Rosa, 2016: 393-401).

Quando examinamos esses eixos mais de perto, descobrimos que podemos distinguir sistematicamente três dimensões diferentes de ressonância. Chamo-os de dimensões sociais, materiais e existenciais da ressonância. Os eixos sociais são aqueles que nos conectam e nos relacionam com outros seres humanos. Nas sociedades modernas ocidentais desde o período romântico, o amor, a amizade, mas também a cidadania democrática, são conceituados como relações “ressonantes” desse tipo. Os eixos materiais são aqueles que estabelecemos com determinados objetos – naturais ou artefatos, peças de arte, ou amuletos ou ferramentas e materiais com os quais trabalhamos ou usamos no esporte. Assim, os esquis para o esquiador ou a prancha para o surfista podem muito bem se tornar contrapartes “responsivas”. No entanto, acredito com filósofos como Karl Jaspers (1947), William James (1902), Martin Buber (1923) ou Friedrich Schleiermacher (1799) que os sujeitos humanos também buscam e encontram “eixos de ressonância” que os conectam e os relacionam com a vida, ou existência, ou com o universo como tal. Como esses autores tentaram mostrar de forma bastante convincente, é isso que gera experiências religiosas, e o que torna a religião plausível em primeiro lugar. Para mim, o elemento central da Bíblia, ou do Corão, é a ideia de que na raiz de nossa existência, no coração de nosso ser, não há um universo silencioso, indiferente ou repulsivo, matéria morta ou mecanismos cegos, mas um processo de ressonância e resposta: alguém que nos ouve e vê, e que encontra formas e meios de nos tocar e responder, que sopra vida em nós. A própria prática da oração pelo crente abre tal “eixo” que conecta seu núcleo mais interno com a realidade mais externa. A pessoa que reza se volta para dentro e para fora ao mesmo tempo. No entanto, é claro, a modernidade encontrou outros eixos de ressonância existencial que não dependem de ideias religiosas. A natureza, em particular, é experienciada como uma realidade última, abrangente, bem como responsiva. Ouvir a voz da natureza tornou-se uma ideia central não apenas na filosofia idealista, mas ainda mais em muitas rotinas e práticas cotidianas. Assim, muitas pessoas afirmam regularmente que precisam chegar à floresta, ou às montanhas, ou aos oceanos ou desertos para encontrar e sentir a si mesmas. Eles acreditam que só podem “ouvir a si mesmos” quando ouvem o silêncio (ou a música) “lá fora”. Assim como no caso da oração, eles experienciam algo como um fio que conecta sua natureza mais interna à realidade externa. De forma similar, a própria música abre um eixo análogo para o ouvinte: quando fechamos os olhos para experienciar uma música, voltamo-nos para dentro e para fora simultaneamente. E algo muito semelhante acontece no caso de outras experiências estéticas no museu, no cinema ou ao ler um livro. A arte, portanto, ao lado da natureza, evoluiu para um eixo existencial central de ressonância para os sujeitos modernos. Essa ressonância não precisa ser uma experiência agradável e harmoniosa, mas pode desenvolver aspectos essencialmente perturbadores, pode ser aprendida a partir de experiências que possamos ter com a história como uma realidade poderosa que nos atravessa, que nos conecta com aqueles que vieram antes e aqueles que virão depois de nós, uma realidade que não podemos controlar ou comandar, mas que, no entanto, responde a nossas ações de modo que podemos sentir um certo sentimento de autoeficácia. Assim, parece ser uma experiência não tão infrequente que os jovens, ao visitarem um campo de concentração nazista, se sentem atingidos e tratados existencialmente; eles sentem um “chamado” para responder à desumanidade de tal local que realmente muda suas vidas (cf. Rosa, 2016: 500-514).

Agora, embora considere que tais eixos concretos de ressonância não são antropologicamente dados, mas sim culturalmente e historicamente construídos, o estabelecimento de alguns desses eixos é, no entanto, indispensável para uma boa vida, pois eles proporcionam contextos nos quais os sujeitos se abrem disposicionalmente às experiências de ressonância. Mudar para um modo de ressonância requer que assumamos o risco de nos tornarmos vulneráveis. Conceitualmente requer que nos deixemos tocar, e até mesmo transformar, de uma forma não previsível e não controlável. Assim, em contextos onde estamos cheios de temor, ou em estresse, ou em um modo de luta, ou concentrados na obtenção de um determinado resultado, não buscamos ou permitimos a ressonância; muito pelo contrário, fazê-lo seria perigoso e prejudicial. Dado isto, torna-se óbvio que seria insensato exigir que estivéssemos sempre em um modo de ressonância dispositiva. A capacidade de sair desse modo, de se distanciar do mundo, de assumir uma postura fria, instrumental e analítica em relação a ele, é muito obviamente uma conquista cultural indispensável não apenas para manter o empreendimento da ciência e tecnologia modernas, mas para realmente proporcionar e salvaguardar uma forma de vida que permita a ressonância humana nas três dimensões mencionadas.

Em direção a uma crítica social das condições de ressonância

Com essa concepção em nosso conjunto de ferramentas, acredito que podemos começar a usar a ressonância como critério para fazer o trabalho da filosofia social no sentido de uma crítica das condições sociais predominantes. Seu ponto de partida é a ideia de que uma boa vida requer a existência de eixos de ressonância confiáveis e viáveis em todas as três dimensões. Um sujeito terá uma boa vida, argumento, se ele ou ela encontrar e preservar eixos de ressonância social, material e existencial que permitam a reafirmação iterativa e periódica da “ressonância existencial”, ou seja, de um modo de ser ressonante. A possibilidade de uma vida tão boa, então, está ameaçada se as condições para esses eixos e para o modo de ressonância de disposição do lado dos sujeitos forem estrutural ou sistematicamente minadas. O modo institucional de estabilização dinâmica, assim argumento, mostra a tendência e o potencial para tal enfraquecimento sistemático. Pois ele força os sujeitos a um modo de “alienação disposicional”: eles são forçados a um modo reificante e instrumental de se relacionar com objetos e sujeitos a fim de aumentar e assegurar seus recursos, acelerar e otimizar seus equipamentos. A lógica de competição em particular mina a possibilidade de entrar em um modo de ressonância: se tivermos que ultrapassar alguém, não podemos ressonar com ele ao mesmo tempo. Não podemos competir e ressoar simultaneamente[6]. Além disso, como sabemos pelas pesquisas sobre empatia e pelos estudos neurológicos (Bauer, 2006), a pressão do tempo na verdade funciona como um impedidor de ressonância. Se tivermos pouco tempo, tentamos ser o mais direcionados e focados possível; não podemos nos dar ao luxo de ser tocados e transformados. O mesmo é verdade, é claro, se formos movidos pelo medo. O medo nos força a erguer barreiras e a fechar nossas mentes, nos desloca para um modo no qual tentamos precisamente não ser tocados pelo “mundo”. Portanto, as condições de ressonância são tais que exigem contextos de confiança mútua e destemor; e esses contextos, por sua vez, exigem tempo e estabilidade como condições de fundo. Finalmente, as tentativas burocráticas generalizadas de controlar completamente os processos e resultados a fim de garantir sua eficiência e transparência, que definem condições de trabalho tardo-modernas, são igualmente problemáticas para as relações de ressonância, pois são incompatíveis com a indefinição e o potencial transformador delas.

Não tenho o espaço para desenvolver aqui uma análise de fundo das condições de ressonância contemporâneas, tardo-modernas (cf. Rosa, 2016, Parte IV), mas estou confiante que o leitor achará plausível a afirmação de que a lógica escalonada da estabilização dinâmica e a correspondente Abordagem Triplo A da boa vida são muito prejudiciais para o estabelecimento e preservação dos eixos tridimensionais de ressonância, e que uma crítica das condições de ressonância, portanto, é uma empreitada que vale a pena.

Referências

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[1] Esse argumento foi brilhantemente desenvolvido pelo economista sueco Staffan B. Linder já em 1970 (Linder, 1970)

[2] Desenvolvi essa noção de alienação, bem como a concepção correspondente de ressonância em grande extensão e de forma muito mais precisa em Rosa (2016)

[3] Sobre a noção de autoeficácia, ver Albert Bandura (1993).

[4] Claro, o notório problema com esta afirmação é que ela provoca imediatamente a objeção de que, embora o sujeito possa muito bem ser transformado pela interação com o violino ou com o oceano, esse último dificilmente muda. Mas embora esse argumento, de fato, dependa de uma epistemologia talvez não tão ingênua, na qual as únicas coisas capazes de responder são os seres humanos, ou seja, de uma “antropologia assimétrica” (Latour, 1991, cf. Descola, 2005), não se pode contestar que o mundo experenciado é afetado por tais encontros: O que o violino e o oceano são para nós muda progressivamente, e nunca saberemos o que eles são como “coisas em si mesmas”.

[5] Esse é um dos motivos pelos quais a ressonância é diferente do reconhecimento; para uma discussão sistemática disso, ver Rosa (2016: 331-340).

[6] A única exceção para essa regra é, claro, o contexto de jogo e, portanto, do esporte, onde, muito frequentemente, uma esfera de ressonância fornece as bases para a concorrência.


Para citar este texto: ROSA, Hartmut. Estabilização Dinâmica, a Abordagem Triplo A para a Boa Vida, e o Conceito de Ressonância – Parte 2.  (Tradução por Diogo Silva Corrêa e Carlos Fabris) Blog do Labemus, 2021. [Publicado em 24 de maio de 2021]. Disponível em: https://blogdolabemus.com/?p=17099

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